Crônica: Master System 5

Ou sobre: minha infância e os videogames

Léo Daniel

Master System 5

Numa mesa onde o contraste é um baralho, os videogames são também frutos da imensidão da criação humana. E não um jogo de azar, como quer boa parte dos políticos. Em suas vontades com os videogames pode-se viver inúmeras vidas, com seus inúmeros personagens, sem que para isso você tenha que viver o bem, ou, viver o mal, na realidade crua e nua. Certa vez, assim que o Playstation 2 fora lançado, eu estava numa locadora de videogames, e uma coisa me marcou pra sempre, eu estava jogando um jogo (não lembro o nome) no qual você era um policial com o seu cão treinado, de repente dei um tiro fatal de escopeta num “bandido” e ele morreu na hora, a emoção, os gestos de morte, o fim, a cena em slow motion… me tocou.

Para mim, ele estava morto e “eu” o matei. Foi uma sensação estranha, essa que eu vivi. Imerso num mundo, num mundo de fantasia, realidade e comoção.

Nem sempre era fácil de perceber em qual oceano nós navegamos.

Pois nos games sempre há a luta entre o bem e o mal. E você é quem escolhe por qual caminho trilhar, e isso é bíblico.

Preciso agora voltar para falar do Master System, que é o cerne desse livro, em suas crônicas. São idas com suas voltas… A Tectoy não lançou de uma só vez todos os jogos de Master System. Havia uma outra coletânea inteira lançada só em outros países, eu ficava então vendo as fotos, e descrições no encarte que vinha nos jogos nacionais. E em cima do telhado da casa dos meus pais (eu era atlético) eu levava os encartes do Master System e bolava inúmeros enredos para um dia eu puder jogar, entre eles e o principal era o Phantasy Star. Que um bom tempo depois lançou em português. Trata-se de um jogo de RPG, ficava louco só de ler que ele tinha 4 megas e salvava o desempenho do jogo no próprio cartucho. Peço desculpas pelas digressões, mas elas fazem parte desse motor emocional, eu em cima do telhado sonhava acordado pedindo por um disco voador, eu não era daqui… nunca fui… e peço pelo apelo do coração. Porque o Master System me trouxe a alegria de viver sem explicação.

Como disse, são idas e vindas. O bem e o mal. Isso explica o ímpeto do colecionador, a maior parte deles compram com todo carinho: o sonho que a criança sonhou.

O sonho que a criança sonhou – resgatado na idade adulta. Quando já se tem trabalho, onde já se tem dinheiro. Então o sonho não pode acabar. São os retrogames. E entre eles, está eu… um sonhador salvo pelos games, cujas experiências podem ir da morte como o início da crônica até a vida… sem limitações.

Leonardo Daniel

www.poetaleodaniel.com

11/05/2022

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