Crônica: DO GOSTO PELAS ARMAS

Helio Baragatti Neto

                Há quem goste de armas. Há quem lhes aprecie a forma e o desenho. Há até quem lhes atribua alguma beleza, colecionando-as como se fossem obras de arte. Mas a arte das armas é a morte, sendo matar sua única finalidade, o que faz pressupor que aqueles a quem agrada o seu uso dispõem-se a atentar contra o mais fundamental de todos os direitos, a saber: o Direito À Vida.

                Em 2018, o Brasil – país cujo povo costuma ser considerado cordial e conciliador – elegeu Presidente Da República o candidato que tinha, como principal proposta de campanha e plataforma de governo, armar a população. Seus eleitores diziam, à época, – e, ainda hoje, dizem – que a flexibilização do acesso às armas se justifica por, em tese, facultar aos chamados “cidadãos de bem” um exercício mais amplo dos direitos à Autodefesa e à Segurança própria. Contudo, a defesa e a segurança, não só dos “cidadãos de bem”, mas de todos os cidadãos, são atribuições conferidas ao domínio do Estado, por meio das Forças Armadas e Policiais, não havendo, portanto, conforme a lógica mais elementar, motivos para se armarem pessoas que não integrem os quadros inerentes às citadas Forças.

                Existem muitos indivíduos a quem fascina a potência de certas armas. Atrai-lhes a sensação de proteção que elas lhes parecem proporcionar. Sentem-se invulneráveis, unicamente, por possuírem ou portarem uma arma. No entanto, ninguém é invulnerável. Ainda mais, em países como o Brasil, onde, somente no trânsito, por exemplo, mata-se mais do que já se matou em inúmeras guerras declaradas ao redor do mundo.

Independentemente de ter ou não ter votado no Presidente eleito em 2018, eu não gosto de armas. Desprezo sua forma, seu desenho, seu peso, sua potência. Considero-as completamente desprovidas de beleza. Acho inadmissível haver quem as colecione. Ponho sob sérias suspeitas o caráter de quem as aprecia. E, se assim procedo é por uma só razão:

Amo a vida. Tenho por ela o mais sincero e completo apreço. E é justamente por isso que me enojam todos os expedientes que contra ela atentam. Entre eles, obviamente, as armas, as quais, talvez, sejam deles o principal.

Penso que, em todo homem armado, exceto integrantes das Forças De Segurança e De Defesa, mora um assassino em potencial. Pois quem tem caráter não precisa recorrer a armas para defender-se ou para se proclamar seguro.

Não podemos nos esquecer de que Ghandi libertou seu país do jugo britânico sem que, para isso, lhe fosse necessário disparar um tiro sequer. Atitude que lhe valeu, no decorrer da história, a alcunha de “Mahatma” (Grande Alma), conferida pelo célebre Escritor – Prêmio Nobel de Literatura – Habindranath Tagore.

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