Crônica: Master System 4

Ou sobre: minha infância e os videogames

Léo Daniel

Master System 4

Um papel em branco está cheio de desafios… é o caso destas crônicas que se tornarão um livro que aqui início, chamado de Master System, no qual será composto por recordação da minha infância e adolescência em suas relações com os videogames. Em especial com o Master System, da Sega/Tectoy. Os capítulos na verdade como eu disse serão crônicas.

O Master System era um salto enorme em comparação ao Atari… Quem o jogava inevitavelmente o comparava, e assim era impossível o não arrebatamento visual.

Em cada mudança de geração de videogames era assim, a geração anterior perde a graça. A não ser que você não seja colecionador e seja também um jogador casual.

O console era muito bonito e futurista, cabendo aos jogadores terem cuidados para não esquentar demais a fonte e assim queimar ela, o mesmo valia para os controles, que estragavam com uma certa frequência, minha bondosa mãe levava os controles para o concerto no centro de Goiânia, na loja autorizada e especializada da CCE ou numa Loja que se chamava Homem de Melo.

A gente acreditava que se passasse óleo de soja nos cabos dos controles eles não estragariam, ou demorariam mais para estragar. De tanto nós jogarmos dava calos nos dedos, principalmente no dedo do direcional. Chegava a dar bolhas.

Eu ia bem na escola, então dividia meu tempo com os treinos de Taekwondo com o tempo dedicado a jogar o Master System. Não lia muito, mas gostava de escrever, desde cedo tinha o sonho de ser um escritor. Meus irmãos em especial o Marcelo, lia muito, muito mais do que eu. Eu estudava apostilas de Taekwondo. Com os nomes dos movimentos traduzidos do coreano.

A vida era boa assim… lutar e jogar… mas havia muitos erros por minha parte, eu implicava com meus irmãos e não queria que eles jogassem, um dia com meus principais amigos lá em casa jogando Alex Kid in Miracle World, eu quase zerando, meu irmão Marcelo foi no registro de energia elétrica e desligou o disjuntor. Uma reação ao meu erro de não deixar jogá-lo.

Havia um jogo que eu nunca consegui terminá-lo, o jogo de nave Astro Warrior. Mesmo no emulador, com saves infinitos, e Rapid Fire (aumentava a velocidade dos tiros) eu não conseguia, parecia que o jogo não tinha fim… depois na fase adulta refletia no porquê, do primeiro chefão se chamar Zanoni e o Segundo Belzebu, ambos sempre salvos e retornando ao jogo.

Astro Warrior é um jogo de progressão infinita, pegava ele com um colega de escola, o João Bosco, e emprestava algum dos meus, que não eram muitos, eram na verdade poucos. Naquela época não se podia salvar os jogos, então nós recorríamos nos truques, códigos e manhas para poder zerá-los, sem isso era muito mais difícil vencer.

Leonardo Daniel

www.poetaleodaniel.com

30/04/2022

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